E o coração de manteiga doeu de novo.
Recebeu uma ligação e repetiu o mesmo padrão errôneo de comportamento..
Deu mais uma chance,talvez a décima,mas deu,porque é bobinho e está apavorado em ficar sozinho.
E novamente ficou com cara de cupcake,esperando,esperando,sem nenhuma explicação.
É burrice né?
É amor de verdade?Pouco provável.
É medo da solidão?Sim,com certeza.
Bateu aqui um medo da solidão,do desamor.
Bateu aqui um medo de precisar me envolver com outros homens,eu não queria isso.
Eu procuro um amor que seja bom pra mim,como diz Frejat,mas não vou procurar até o fim,porque não quero ter a sensação de passar por muitas mãos,até encontrar esse amor.
Sou mesmo estranha,sempre fui,perdi na juventude,inúmeras oportunidades de me divertir com meninos lindos,super legais,mas na hora H,eu corria,dizia não e,literalmente,saia correndo.
Medo de não gostar,medo de ser usada,medo de me tornar uma qualquer,medo de perder o respeito próprio,medo de decepcionar meus pais,medo de ficar falada,enfim,eu tinha medos infinitos de perder o pouquinho que a mulher tem,que é a sua dignidade.
Pensamentos bobos e machistas os meus,ninguém tinha nada a ver com isso,o corpo era meu e eu tinha o direito de estar com quem eu quisesse,na hora que eu quisesse,mas infelizmente na época,minhas crenças eram essas,totalmente fechadas para o mundo real.
Acho que o lance da família sempre querer que eu fosse a melhor em tudo,a mais educada,a mais fina,a mais diferente,a que fosse muito bem na escolha,a que sempre fosse a escolhida para as peças teatrais e apresentações nas festas,isso tudo não deu margem às falhas,aos erros,à bagunça.
Isso tudo não me deu o direito de fazer uma coisa realmente errada,eu não fiz.
Um dia desses entrei num bar que fica na galeria comercial do prédio onde eu morei por milênios.
Eu precise ter 42 anos para tomar a iniciativa de sentar numa mesinha com a minha melhor amiga e pedir uma cerveja.
A vida toda eu fui proibida de entrar naquele bar.
Na adolescência,minha mãe dizia que se eu entrasse numa boteco daquele e ela sonhasse com isso,que eu ficaria de castigo por meses,sem sair de casa,somente para ir à escola.
Meu pai dizia que não saberia nem o que fazer se me pegasse num bar,afinal,eu fui criada para ser uma moça educada e de princípios,bares não eram pra mim,jamais.
Tive um namorado lindo,mas que nunca me levou lá por dizer que não era ambiente pra mim.
Ele sempre repetia a mesma frase,me lembro até hoje : - Uma laranja boa numa cesta se laranjas podres,apodrecerá tbm.
Meu segundo namorado,com quem me casei,olhava pra mim e só dizia: - Nunca!
E o bar não tinha nada demais e todos as pessoas que eu conhecia iam,todas,minhas amigas,meus amigos e inclusive os namorados,depois que eu entrava pra casa.
Isso me deixava chateada,eu queria ser como todo mundo,sentar numa mesinha e pedir uma Coca e rir junto com as pessoas,mas não podia.
Mas esses dias,como me tornei Senhora das minhas vontades,parei o carro com a comadre,sentei lá e fiquei horas.
Uma bobagem para muitos,mas para mim foi libertador,eu adorei,eu fiz o que tve vontade por décadas e foi maravilhoso.
Amigos de infância que r lá passavam,paravam para ver de realmente era vero o que estava acontecendo,rimos horrores.
Cheguei em casa e contei pra mim mãe o que fiz,acho que no fundo,eu queria que ela soubesse que acabou a censura,eu faço o que quero.
Ela deu uma risadinha amarela,meio que dizendo " se eu pudesse te matava agora,sua desobediente" ,mas não pôde fazer nada,afinal,tô pra lá do meio,quem manda em mim sou eu.
Enfim,experiência de vida,capacidade de me safar das pegadinhas da vida,isso eu não aprendi.
E tô pagando um preço alto por isso,porque esse meu lado Poliana,que acredita sempre no melhor das pessoas,já deu no saco.
Eu acredito no ser humano,no seu lado bom,eu acredito na amizade sincera,eu acredito no amor sincero e só depois eu me ligo que um pé tem que estar sempre atrás,para se afastar rápido,caso algum sinal de canalhice se apresente.
Já vi que será mais um treinamento a ser feito,na terça,passarei a idéia para Valéria,a terapeuta mais phoda que eu já conheci e começaremos a missão "Como Reconhecer Um Bosta,Porco,Traidor à Quilômetros de Distância."
Vou conversar muito com ela e anotar todos os tópicos.
Prometo que passarei o PAP para todas as calcinhas de plantão.
Não queria me endurecer,lutei o máximo que pude para que isso não acontecesse,mas infelizmente se faz necessário,terei que deixar o coração ficar peludo,como diz May,terei que ter o cú riscado e viver virada no samurai,para poder me proteger dos sentimentos verdadeiros,que só me trazem decepção.
E pensar,vou pensar muito,em outras possibilidades,outras maneiras de viver,em outras formas de amor.
Hoje vou almoçar com amigas queridas,talvez proponha casamento à elas,sei lá,a gente se conhece hà séculos,nunca brigamos,nos damos muito bem,rimos muito juntas,talvez eu case com uma delas.
Ou vou pedir em casamento,alguma tricoteira,assim a gente pode tricotar juntas e conversar por horas,seria bem legal tbm.
Ou não!Como diria Caetano.
E bora ser feliz,pq agora eu tenho luzes nos cabelos e isso é sinal de Poder.
Um beijo à todos.
Um puta domingo.
E tenham certeza de uma coisa,no final,seremos todos felizes.
Vambora........